Não me lembro a data mas neste mês foi o aniversário.
Aniversário dos hormônios , da impaciência , da luta sem vitória
Ou seria da vitória mal premiada?
O eco aqui dentro vai ficando maior
E menos ouve-se os sons que vêm daqui de dentro.
Desesperança é pouco
Para uma vida medíocre,
Regada a álcool em detrimento a presença humana .
As mesmas frases dos livros de autoajuda são repetidas
Talvez, como autoajuda, elas tenham algum proveito.
E quando essas frases vêm de terceiros se torna piedade solidária.
Não adianta mais .
Desde que ela se foi nada é igual.
Na arquitetura da minha vida , para este sistema não há projetos , não há programação que dê conta.
Não existe o sucesso apenas o fracasso.
A solidão é minha e ninguém se importa.
É fase e pronto! Não importa o tempo que já dura.
A minha morte diária não importa para os que gozam e para as que gemem.
Com a boca ocupada não dá para dar bons conselhos.
A minha morte não importa para os que amam e para os que são desejados.
Não importa para os casados nem para os amantes.
Não importa que os maus ganhem e os bons percam.
Meus inimigos regozijam-se.
Riem da minha derrota, do meu fracasso.
Voltei a ser aquela menina do canto da época da escola ,
A sonhadora do vestido feio e do cabelo de bombril.
Sou a incandescência em época de economia,
Sou LSD em tempos de heroína,
Sou o câncer que veio na juventude .
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